Porque ela se perdia assim e assim se assumia e se cumpria em pedra, dona de si mesma, dispensando qualquer afeto, qualquer comunicação? Ela se bastava. Parecia já ter ido além da própria estrutura num lento inventariar do mudo ao redor, como se seu pico tivesse olhos e esses olhos projetassem indagações em torno, avançando nas descobertas, constatações se fazendo certeza. E como se seu isolamento fosse deliberado, como se já não acreditasse mais em nada e tivesse escolhido o amparo apenas das águas, a precária proteção do azul - como se tivesse escolhido o vento, a erosão, os vermes e os musgos que a roíam devagar. Assim, da mesma forma como outros escolhem o apoio das pessoas (...)
Caio Fernando Abreu.